CASTELO RODRIGO
Situada numa elevação a 820 metros de altitude, 5 Km para Sudoeste da sede do concelho, Castelo Rodrigo é um velho reduto militar que começou a perder importância quando o seu valor estratégico diminuiu dadas as novas técnicas de combate militar.
Castelo Rodrigo, isolada no cimo da alta colina, está reduzida a uma pequena povoação de ruas sinuosas, íngremes e de casas espartilhadas pelas velhas muralhas em ruína da fortaleza medieval. Saudosa do seu valor de outrora, viu com mágoa as suas gentes procurarem outras paragens para se estabelecerem.
Para além da fortaleza arruinada e da Igreja Matriz encontra-se aqui o que resta do palácio de Cristóvão de Moura. Ao fundo da colina muralhada encontra-se a fonte denominada “Fonte da Vila” cuja frontaria é encimada por uma pedra exibindo a cruz de malta.
A antiga cisterna, ornada por duas portas, uma gótica e outra mourisca, com o característico arco em forma de ferradura, tem 13 metros de profundidade onde se chega por uns degraus que evidenciam o desgaste sofrido ao longo de muitos séculos. Supõe-se que a porta em estilo mourisco mas construída provavelmente no século XIII por artífices habituados a esse tipo de construção, pertenceu à primitiva cisterna que fazia parte da sinagoga dos judeus. Na realidade ela encontra-se ao fundo da Rua da Sinagoga.
A Igreja Matriz foi fundada pelos frades Hospitalários em 1192 tendo por missão ajudar os peregrinos que se dirigiam para Compostela ou Roma. O templo encontra-se dividido em 6 naves. A torre sineira é lateral e tem dois sinos. A devoção a Nossa Senhora do Rocamador nasceu segundo a tradição, quando o publicano Zaqueu, convertido por Jesus, veio para a Gália, como apóstolo usando então o nome de Amador. Esculpiu uma estatueta de madeira, com a imagem da virgem que ganhou fama de milagrosa, a que deram o nome de “Notre Dame de Rocamador”. Em 1192 vieram para este local alguns frades provenientes do Norte de África, cuja missão era ajudar os peregrinos, e que trouxeram consigo a devoção à senhora de Rocamador.
As muralhas de Castelo Rodrigo, que envolvem toda a aldeia, eram formadas por 13 torres semicirculares sendo duas voltadas para Norte, 6 para Sul, 3 para Nascente e duas para Poente. A torre de menagem tinha 6 janelas e duas portas de acesso. Estas muralhas foram mandadas erguer em 1297 por Dom Dinis para melhor defesa das terras recém-adquiridas e em 1327 foram mandadas restaurar por Dom Afonso IV. Finalmente em 1508 Dom Manuel I mandou restaurar todo o castelo.
No lugar da antiga alcáçova encontram-se as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura erguido em 1590. Na muralha do lado Norte, servindo de parede ao edifício, há uma porta, denominada porta da traição, por onde terão fugido os moradores do palácio e alguns soldados, perante a fúria dos populares que incendiaram o palácio em 10 de Dezembro de 1640.
Em 1810 quando o general Massena, comandante das forças da terceira invasão francesa, passou por esta região, grande parte das muralhas foi destruída pelos ingleses para com elas construir um hospital militar.
O pelourinho tem a forma de gaiola estilizada. Com uma altura de aproximadamente 8 metros é formado por um pedestal de 5 degraus, quase todos com 8 lados. Do centro deste conjunto granítico, eleva-se uma coluna. Tendo perto de 4 metros de altura exibe a forma de prisma octogonal.
O Convento de Santa Maria de Aguiar dista 3 Km da sede do concelho. Pertenceu ao bispado de Ciudad Rodrigo, da filiação do mosteiro de Moreruela, em Zamora para, quando esta região se integrou no reino de Portugal passar para a filiação do convento de Tarouca.
Durante muitos séculos foi o núcleo da vida religiosa e agrícola da região. Aqui viveu Frei Bernardo de Brito, Cronista-Mor do Reino. Na terceira invasão francesa as tropas comandadas por Massena provocaram grande devastação e roubos no mosteiro. O seu espólio sofreu nova onda de destruição na época das lutas liberais. Finalmente em meados do século XIX os monges de Aguiar viram-se espoliados dos seu património e expulsos do Convento.
Nave Redonda é um pequeno lugar da freguesia de Castelo Rodrigo que tem no centro da povoação um pequeno templo com um elegante altar-mor ornamentado em talha dourada do século XVIII.