CINCO VILAS

 

Esta freguesia fica situada no extremo sul do concelho a 15 Km da sede. Inicialmente era um concelho autónomo, mais tarde foi integrado no concelho de Almeida e em Decreto de 12 de Junho de 1895 finalmente passou a fazer parte do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Segundo a tradição o primeiro nome desta localidade seria “Vila Nova”. No ano de 1193, quando a região foi assolada, mais uma vez, pelo flagelo da guerra, os moradores de 4 povoações vizinhas vieram refugiar-se nesta localidade que tomou deste modo a sua designação actual.

A freguesia desenvolveu-se à volta do convento de São Julião. A primitiva capela, as ruínas do convento e das antigas muralhas onde residiram os cavaleiros da ordem militar de São Julião do Pereiro e, mais tarde, dos Cavaleiros Templários, encontram-se junto ao actual cemitério da localidade. As relíquias, bem como a imagem de Nossa Senhora do Pereiro foram encontradas neste lugar onde se supõe tenham sido enterradas pelos cristãos quando, no ano de 716, ao árabes invadiram a Lusitânia.

A ordem militar de São Julião do Pereiro teve origem neste lugar. Os seus fundadores foram Dom Soeiro e Dom Gomes, dois irmãos que eram netos do Conde de Salamanca. Reza a história que certo dia, acompanhados por alguns amigos, resolveram dedicar-se à luta contra os muçulmanos que ocupavam grande parte da região. Deslocando-se para a zona de Riba-Côa, que fazia de fronteira entre os dois exércitos, encontraram um ermitão, de nome Armando, que, antes de se dedicar à vida de meditação e penitência, fora cavaleiro do Conde Dom Henrique. Um acordo selado entre os dois cavaleiros e Armando permitiu que fosse erguido um castelo junto à ermida. Rapidamente a fama e o heroísmo dos actos de Armando atraiu muitos nobres à causa o que contribui para a reconquista de toda a região. Em 1167 a ordem militar de São Julião do Pereiro foi confirmada pelo Papa Alexandre III e em 1176 o rei de Leão Dom Fernando II entregou aos membros da ordem militar religiosa o controlo dos lugares de Pereiro, Reigada, Vilar Torpim, Colmeal e Almendra. Quando Dom Dinis conquistou esta região em 1297 a ordem mudou-se para o Reino de Castela juntando-se à Ordem de Calatrava.

Há na freguesia um caminho conhecido por “Estrada de França”. Serão os restos de uma antiga calçada romana, percorrida posteriormente na Idade Média pelos peregrinos que iam para Compostela. Estendendo-se ao longo do Rio Côa , esta calçada fazia parte da via imperial que ligava a cidade da Guarda a Astorga. Passando por Cinco Vilas, prosseguia para Castelo Rodrigo, continuando pela ponte romana de Escalhão, até Barca d’Alva e Trás-os-Montes. Nesta zona das Cinco Vilas tinha também uma ponte que unia as duas margens do Côa. Destruída em 1909 por uma cheia, ainda conserva 3 dos 5 arcos primitivos.

A cerca de 500 metros da margem direita do rio Côa, num local denominado “Olival do Pandeiro” encontra-se um enorme monólito, com cerca de 6,30 metros de comprimento e 2,5 metros de altura, que apresenta diversas inscrições, na sua maioria cruzes e também duas figuras de animais e uma de um humano.

No cimo de uma pequena elevação, na margem direita do rio Côa e a cerca de 1,5 Km da povoação, encontra-se a capela de Nossa Senhora do Pranto.

A Igreja Matriz situada no centro da povoação é composta por uma torre sineira onde no passado terá existido um sino. Pegado ao edifício principal existe uma outra torre com espaço para dois sinos. O interior, dividido em 3 naves, apresenta um altar dedicado a São Sebastião. Diz a tradição que neste local existiu um convento da Ordem dos Templários.