MATA DE LOBOS
Esta freguesia situa-se a 6 Km para Este da sede do concelho. O primeiro documento conhecido em que o nome da freguesia vem mencionado, data de 1165, no qual D. Fernando II, rei de Leão, faz doações ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar. No ano de 1514, Dom Manuel I criou comendas novas na Ordem de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários. A comenda de Santa Marinha de Mata de Lobos encontrava-se entre as eleitas. Em 1758 o primeiro ministro de Dom José I, conhecido por Marquês de Pombal, foi nomeado seu comendador.
A capela de Santa Marinha cujas referências remontam ao ano de 1385 é de estilo românico. Ao longo dos séculos sofreu algumas modificações mas ainda conserva uma característica única no concelho que apresenta alguns trabalhos em pedra com “bestiários” que nos transmitem uma mensagem. É na parede sul que encontramos a sua maior expressão com um friso em alto relevo, ornamentada com máscaras e motivos vegetais. Uma delas representa um lobo, cuja imagem foi usada para significar o homem que persistia no paganismo, não se convertendo à religião cristã, aguardando o momento de se converter e humanizar. A forma da boca destes lobos é característica da arquitectura românica, apresentando formas angulosas, bicudas e agressivas. Simbolizam o demónio que espera o homem à saída da igreja para o fazer cair no pecado. As orelhas da figura esculpida são curtas e a boca agressiva. A seguir outra máscara revela-nos um homem lobo, com as características do anterior, mas com a face humanizada, simbolizando o pagão ainda não cristianizado, mas com possibilidades de entrar para a comunidade cristã. Do lado esquerdo, está uma estilização duma palmeta, elemento já usado pelos celtas nos ritos funerários. A seguir à representação de uma cabeça humana e de outras figuras que parecem lobos, vê-se no extremo direito uma representação simbólica de um parto: a cabeça a sair da vagina numa alusão ao “homem novo” que se converteu e renasceu para a igreja.
A cruz de Pedro Jacques de Magalhães é um singelo padrão de granito que João da Fonseca Tavares mandou erguer no local da batalha da Salgadela em honra aos feitos dos portugueses na guerra da independência contra os espanhóis.
A Igreja Matriz resulta das várias ampliações a que a primitiva capela de São Sebastião foi sujeita. Construída provavelmente nos finais do século XV, tornou-se alguns séculos mais tarde, por alturas de 1759, na igreja paroquial.
As sepulturas antropomórficas que se encontram espalhadas pela freguesia têm forma trapezoidal e são escavadas na rocha com uma cavidade interior que se assemelha ao corpo humano. No lugar da cabeça, expõem dois pequenos rebordos servindo para a amparar. Algumas, mais largas, destinavam-se a ser sepulturas para duas pessoas. Outras seriam próprias para crianças dada a sua reduzida dimensão.